“Pian piano si vá lontano” “Devagar, devagarinho, se vai longe”

Cracóvia

 

Na cidade de João Paulo II, Cracóvia, um encontro com um sério ritmo de trabalho, muita partilha e caraterizado sobretudo pela escuta e atenção ao outro, criando-lhe espaço em… nós, para perceber o seu ponto de vista, para se avançar nos caminhos da missão, como leigos: juntos, em comunhão na diversidade de cada país! Encontro em que tive a graça de participar, (representando as irmãs combonianas, como convidadas) das equipas coordenadoras dos países da Europa, dos Leigos Missionários Combonianos. Olhando para trás, (o encontro foi já no passado fim de semana), uma dupla alegria me dança no coração: Este modo de fazer espaço ao  outro na escuta, na atenção no respeito, que se tornam mais importantes que os muitas vezes ameaçadores timings, é por si só um dos paradigmas importantes da  missão. Se o vivemos entre nós, mais conatural se tornará com todos os povos, todas as gentes, em todas as latitudes. E depois o ter “conhecido…” (dois dias é nada …) a terra, a cidade as pessoas, daquele homem “que vem de longe”. Cracóvia é linda, fala da identidade de um povo belo como a sua cidade, onde as construções muito específicas se entrelaçam com o verde das plantas e das árvores, recebendo vida do rio Vístula que a atravessa. Se linda é a terra, a sua riqueza são as pessoas que pude encontrar; em particular aquele grupo de jovens que partilharam connosco aqueles dias: acolhedores, um acolhimento feito de discrição, de detalhes, atenção e ação, jovens que vieram de longe, alguns deles. Jovens empenhados, que rezam, também com a vida, com uma postura própria de um povo que sabe o que quer, que sabe conjugar pos modernidade com os valores pelos quais pautam as suas vidas, sabendo fazer as justas prioridades depois de terem conhecido outros mundos (muitos deles já fizeram Erasmus em cidades do ocidente). Parafraseando Comboni: Polónia é a pérola branca que faltava na coroa que são os Leigos Missionários Combonianos, e que agora está, com toda a sua beleza.

 Carmo Ribeiro
Missionária Comboniana

A Fé, bendizer (dizer bem) de Deus

p.1.2Bendizer – dizer bem – é próprio dos corações amantes. Nós protegemos, respeitamos, defendemos, desculpamos as pessoas que amamos. Certas atitudes e linguagens são um permanente maldizer ­– dizer mal –, acusar, condenar Deus, fazendo d’Ele o responsável de todos os males.

«Bendiz, ó minha alma, o Senhor e não esqueças nenhum dos seus benefícios» (Sl 103). Aqueles(as) que reconhecem e aceitam a sua condição de criaturas livres e amadas pelo Seu Criador e Senhor exultam de alegria pelo simples facto de existir. Fazem da sua existência um hino de louvor, ao experimentar o amor de Deus através do perdão que liberta e refaz a vida.

Este amor manifesta-se também na justiça feita aos oprimidos, pois é comparável à ternura dos pais para com os seus filhos que se revela na misericórdia, na bondade e na compaixão. À fragilidade da condição humana contrapõe-se a firme garantia do Amor e da Justiça.

As pegadas de Deus são visíveis na criação, qual perene milagre de uma presença vigilante e materna. O sopro de Deus recria, vivifica e renova o admirável mistério da vida.

Amantes de Deus são aqueles(as) que, em tempos de perseguições e incompreensões, continuam a dizer bem d’Aquele em quem puseram a sua confiança. Infâmias, humilhações, perdas materiais e emocionais são oportunidades para acordar-se com Deus sobre o Seu Projeto de Salvação que, pela fé, vislumbram muito além dos seus desejos e interesses pessoais. A felicidade consiste em estar de acordo com Deus em tudo; eles(as) sabem que a vitória vem também por meio da dor.

Francisco de Assis, doente e cego, canta: «Louvado sejas, meu Senhor, pelos que perdoam por Teu amor, suportando enfermidades e tribulações. Louvado sejas, Meu Senhor, pela nossa irmã a morte corporal,… Louvai todos e bendizei o meu Senhor! Dai-Lhe graças e servi-O com grande humildade!»

Naqueles(as) que dizem bem de Deus e lhe dão graças em todas as circunstâncias não se extingue o Espírito de louvor e adoração. Assimilam o bem, onde quer que se encontre, caminham na esperança rumo à liberdade e à vida. Os amantes de Deus «Anunciam dia após dia a Sua salvação, publicam entre as nações a Sua glória e em todos os povos as suas maravilhas» (cf. Sl. 95).

Irmã M.ª do Carmo Bogo

II ENCONTRO MIGRANTES GIP EUROPA Verona, Casa Mãe, 1 a 4 de Junho de 2013

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O segundo encontro sobre Migrantes, organizado pelo GIP Europa, teve início no dia 1 à noite na nossa Casa Mãe e terminou no dia 4 do mêsde Junho. Participaram 23 irmãs das circunscrições Europa, Itália Brescia, Itália Verona e Casa Generalícia. Participaram também: pelos Combonianos o Pe. Giorgio Poletti e pelos Leigos Missionários Combonianos o Sr. Alberto Biondo e a sua família.

A Ir.Marina Cassarino, conselheira geral encarregada do GIP Europa, na sua saudação, recordou o primeiro encontro sobre Migrantes, a nível Europa, que decorreu em Granada em 2010. “ Um encontro – disse a ir. Marina – “que nos levou a fazer  um salto de qualidade sobre o modo de compreender a nossa missão na Europa e do qual, nasceu a moção que como GIP Europa que apresentámos ao Capítulo Geral desse mesmo ano, 2010. Este encontro que agora tem início é um encontro que seguramente, à luz da nossa experiência sempre mais apaixonada e profissional neste campo, e do momento particularmente significativo que estamos a viver como Congregação: a reflexão sobre a ministerialidade, que confirmou o compromisso no campo dos migrantes como uma das prioridades da missão comboniana na Europa, nos dará a possibilidade de fazer um salto de qualidade ainda maior para um compromisso sempre mais incisivo” Convidounos depois a escutar a palavra da ir. Luzia Premoli, superiora geral, que quis estar presente ente nós, na abertura deste  IIº encontro sobre  Migrantes, saudando-nos através de uma vídeo gravação.

O primeiro dia foi dedicado ao “VER”, escutando todas as experiências em ato na Europa no campo dos migrantes. Uma a uma, as irmãs se foram enriquecendo mutuamente, a maior parte das vezes com a ajuda de pps, vídeo clips, e fotografias para fazer emergir quanto se faz em cada país da Europa onde estamos presentes: Alemanha, Itália Portugal, Espanha e Reino Unido. Foi com grande satisfação que se viu a riqueza das múltiplas atividades que se fazem nos diferentes países no campo dos migrantes e do tráfico de pessoas.

O segundo dia decorreu sobre o lema” Julgar”, com a ajuda de um especialista no setor, o Sr. Carlo Melegari, que aprofundou connosco o tema: “ As migrações hoje na Europa: cenários, desafios, possibilidades e perspetivas no campo social e religioso”. Carlo Melagari, é fundador, com outros colegas, do “Centro de Estudos Migrações”CESTIM, com sede em Verona. O relator, em diálogo com a assembleia, apresentou-nos a situação das migrações na Europa hoje: as causas do fenómeno migratório, as desigualdades existentes, os fatores de atração dos migrantes para o norte do mundo; as leis e os fatores económicos que condicionam o fenómeno migratório; a informação, formação a educação à legalidade, o acolhimento dos migrantes, a integração entre cidadãos diferentes; lobbing e campanhas publicitárias; o fenómeno do tráfico de seres humanos, a procura dos clientes e, tantos outros aspetos. A cidadania global é um sonho, aquele sonho onde todos poderão ter a mesma dignidade, aquela de seres humanos. O problema dos migrantes será resolvido quando se realizará o sonho da livre circulação de pessoas. Esta é a meta a alcançar.

Na manhã do terceiro dia, dedicada ao AGIR, através de trabalhos de grupo, foram postas na mesa, reflexões e propostas que o Secretariado Ad Gentes Europeu, recentemente constituído, deverá ajudar a concretizar. Algumas propostas emersas:

1.     Trabalhar sempre mais em rede – proposta de inter agir ente nós combonianas, utilizando os meios técnicos à nossa disposição hoje (skyp, reuniões em vídeo conferência, mail e outros).

2.     Conhecimento, informação e sensibilização –  somos sempre mais conscientes que existem alguns meios de comunicação que manipulam a informação ao serviço do sistema. Se deve, por isso, prestar mais atenção na escolha das fontes de informação para fazer crescer em nós, uma consciência lúcida sobre a realidade.

3.  Europa e Missão – É necessário estar atentas àquilo que o Senhor nos diz através das situações que estamos a viver hoje na Europa. Fazer discernimento, ser propositivas, sem prejudicar aquilo que é o nosso carisma fundacional. Ler as situações que vivemos, leva-nos inevitavelmente a viver a missão naquelas situações concretas.

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Este segundo encontro sobre Migrantes concluiu-se com uma visita à sede da Pia União das Colaboradoras de D. Mazza e seguidamente à Catedral, onde se encontra um busto de Daniel Comboni, mandado fazer por Monsenhor Canossa.

A ir. Liliana Sommacampgna introduziu-nos à razão daquele busto recordando-nos as relações havidas entre as duas grandes figuras: Canossa e Comboni.

Certamente um outro passo de qualidade se juntou aos anteriores no seguimento do carisma de S. Daniel Comboni, atento em envolver-se nas situações dos mais pobres e abandonados. Hoje, estes são os migrantes e as vitimas do tráfico humano.

Confiamos a Maria Consoladora, Mãe da humanidade, o trabalho realizado nestes dias.

Verona, 4 de Junho de 2013