Jovem e Missão! Perfeita combinação

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As Jornadas Nacionais da Pastoral Juvenil e as Jornadas Missionárias este ano foram realizadas em conjuntoJ. Para mim foi uma experiência muito enriquecedora e complementarJ e acredito que para muitos que lá estavam, em Fátima, ao pé de Nossa SenhoraJ

Iniciamos na sexta-feira a noite com a presença da Dra. Teresa Messias que introduziu-nos à realidade da maioria dos jovens em Portugal.

O sábado foi intenso e cheio de partilha de vida.O Pe Rui Alberto, salesiano falou-nos de maneira descontraída e sincera das realidades que vivem muitos jovens portugueses hoje e lançou-nos desafios e métodos para ajudar a chegar mais perto deles.

Leigos e leigas partilharam a sua experiência de voluntariado e missão em outras terras, entre elas também em alguns países de África e Américas. O que marcou-me mais ao escutar os testemunhos foi a Pastoral do “Sentadinho”; expressão usada para falar de como tiveram de iniciar a sua Missão num determinado lugar no Brasil. Ou seja, foram com muitos planos e atividades para fazer e ensinar, mas o sacerdote que lá estava disse-lhes para pegar na bicicleta e começar, antes de tudo, a visitar as pessoas: sentar e escutar, ver…assim surge a tal Pastoral do “Sentadinho”J Espetacular!

ecos da JMJTambém participamos de workshops com as diversas temáticas:

Juventude e Cultura; Missão e Economia; Juventude e Família; Bioética; Ecos da JMJ no rio e a Vida da Beata Chiara Luce.

Estive no workshop da Juventude e Cultura com a presença cheia de alegria e entusiasmo de  João Carvalho, grande e estimado ator português que falou e fez-nos sentir a importância de saber apreciar e amar a nossa própria cultura; eu como brasileira gostei imenso de ouvir sobre a riqueza da cultura portuguesa e de confirmar a beleza da universalidade que Portugal tem; a simplicidade de um povo que sabe acolher e amar, apesar das dificuldadesJ. Frase marcante: A Arte vem de DeusJworkshop - JOão Carvalho

Logo mais a noitinha ouvimos as palavras do Pe José Frazão, que falou-nos do tema: Os jovens como “lugar” de Missão. Desafiou-nos a saber conhecer o coração do jovem para poder anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo, assim como fez Matteo Ricci (missionário em Ásia).

Para encerrar o dia, fomos presenteados pela beleza das canções, simpatia, vozes e guitarras de João Afonso e Rogério Pires.

Logo na manhã de domingo estivemos a rezar ao pé de Nossa Senhora e a celebrar na Eucaristia a nossa alegria de sermos cristãos e missionári@s de Jesus!

A tarde tivemos uma mesa redonda com a partilha simples e desafiadora de Eugénio Fonseca e Bernadino Silva. Eugénio desafiou principalmente aos jovens de aproximarem-se das redes caritativas das suas paróquias e a darem a sua colaboração jovem, criativa e cheia de amor.

Bernadino alertou-nos das diversas realidades de pobreza existentes no mundo e deixou-nos o “bichinho” da vontade de conhecer mais o que se passa aos irmãos que vivem a nossa volta e pelo mundo afora, para poder amar mais!

Terminava com esta frase de Carl Young: “Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”

                                                                                                                                                                                                 Ir. Suelyn Smiguel
                                                                                                                                                                                                Missionária Comboniana

Feliz és tu, porque acreditas!

p. 1 e.h. 105«Não tenhas medo»: três palavrinhas que todos nós precisamos de ouvir, perante as decisões importantes para as nossas vidas. O maior inimigo da fé é o medo. As nossas ações estão condicionadas por um obscuro temor que nos espreita; temor da solidão e da perseguição, da pobreza e do fracasso, do abandono e da traição, da doença e da morte.

O medo persegue-nos pretendendo fazer de nós, eternos fugitivos, mas uma presença amiga, «que nos envolve por detrás e pela frente, e que, sobre nós coloca a Sua Mão» (cf. Sl 138, 5), dá firmeza aos nossos pés e sossego ao nosso coração agitado.

A fé não é um seguro contra os infortúnios da vida, porém, ao libertar-nos das ilusórias e falsas seguranças, permite-nos agir com lucidez e tranquilidade. As tempestades, certamente, virão, mas a casa bem construída sobre a Rocha, com o devido cuidado, resistirá à fúria dos ventos.

«…Porque encontrastes graça diante de Deus». A fé alberga o privilégio exclusivo da gratuidade. Deus se declara estar da nossa parte,  aconteça o que acontecer. A Sua fidelidade permanecerá irrevogável e indestrutível.

Mais que uma proposta, é um favor, que Deus pede à Virgem Maria, por meio do Anjo Gabriel: o favor de acreditar no «impossível». É pela fé de Maria, que O Verbo de Deus se faz menino no seu seio virginal. A adesão livre aos pedidos de Deus cria os amplos espaços da Graça onde o impossível se torna possível.  

Na Sua entrega total a Deus, Maria encontra a sua verdadeira e feliz identidade. «Eis-me, sou a Serva do Senhor.» Declarando-se a «Sua Serva», ela escancara as portas da sua existência ao Seu Senhor. «O Todo-Poderoso realizou grandes coisas em meu favor, o Seu nome é Santo» (cf. Lc 1, 47-55).

Fazer germinar a vida onde vida não há é exclusiva prerrogativa de Deus, que escolhe o que é loucura do mundo, para confundir os sábios; o que é fraqueza do mundo, para confundir o que é forte… Deste modo, «nenhuma criatura se pode orgulhar na presença de Deus» (cf. 1 Cor 1,25-30). Todo o ato de amor exige a fé, no Filho de Deus e de Maria, Crucificado e Ressuscitado. Somente Deus pode criar do nada e chamar à vida o que está morto. Então ressuscitarei? Poderá, porventura, brotar a justiça da injustiça e a paz triunfará no nosso mundo dilacerado pelos conflitos? Confio que um matrimónio se poderá salvar, não obstante os erros cometidos? Acredito que uma doença grave não é obstáculo, mas antes veículo para a felicidade? Pela fé, já não somos fugitivos, mas peregrinos rumo à meta segura. Porque, «…embora eu caminhe por um vale tenebroso nenhum mal temerei, felicidade e graça me acompanham todos os dias da minha vida» (Sl 23, 4-6).

 

Irmã Maria do Carmo Bogo

Campo de Verão’ “Mendicanti di Passione per Dio e per l’umanitá”,

cartaz  Jovens apaixonados por Cristo… a caminhar nos passos de São Daniel Comboni, “a mendigar” a sua PAIXÃO por Deus e pela humanidade. Tens uma idéia melhor?

Do 5 ao 13 de agosto tem tido lugar um ‘Campo de Verão’ muito especial com o título “Mendicanti di Passione per Dio e per l’umanitá”, quarenta e sete jovens (uns de idade e os outros de espírito) vindos da Inglaterra, de Portugal, da Espanha, do Brasil, da Colômbia, da Itália e da Malásia. Passando pelos lugares onde Comboni viveu a sua infância e juventude.

O ponto de partida… a realidade de cada um de nós. Com um leve sopro, com certeza o do Espírito Santo, deixamos a nossa terra, e vimos com uma mochila carregada com o imprescindível e embarcando nesta “aventura comboniana” de encontro, caminho, oração, gozo e VIDA EM ABUNDÂNCIA.

Uns estavam a procura da alegría do encontro, outros dum conhecimento mais profundo de Comboni e de ir às raízes duma vocação já definida, outros com os olhos e o coração bem abertos para descobrir o sonho de Deus para eles, outros a procura da coragem para dizer “sim”… Para todos e cada um, o Senhor já tinha preparado algo novo. Comboni, o caminho e a comunidade, ajudaram a que a mensagem chegasse a bom porto.

1º e 2º dia: Verona (5 e 6 de Agosto)

radio verona-horzDepois de dias de viagem (os portugueses chegavam numa carrinha na que cruzaram Portugal, Espanha, França e Itália) encontramo-nos todos. Os jogos de apresentação, as questões logísticas e, algumas das primeiras chaves deste ‘campo’ foram: mudar o olhar para ver mais além do evidente; abrir os ouvidos para poder entrar no profundo; dispor as mãos para afagar, acompanhar e trabalhar; libertar o olfato para perceber a VIDA em todos os lugares e saborear tanto os sofrimentos como as alegrias que íamos partilhar nos dias que vinham.
Em Verona encontramo-nos com séculos de história diante dos nossos olhos, história da humanidade e da familia comboniana: a urna com os restos mortais de Comboni, a casa Mãe dos combonianos, o Instituto de D.Mazza (onde Comboni cresceu, descobriu a sua paixão por Cristo e pela missão africana, e onde sofreu as primeiras cruzes), a Igreja de Santa Maria in Organo e a Casa Mãe das Combonianas.

Para além disso, o passado mais recente, o presente e o futuro da familia comboniana: o museu africano com a exposição do padre e médico comboniano Giuseppe Ambrosoli (em processo de beatificação por uma vida entregada a Cristo e ao povo ugandês), as instalações da revista Nigrizia, da Afriradio e da televisão comboniana.

3º, 4º e 5º dia de caminho:  S. Pietro in Cariano – Caprino Veronese – Santa Maria della Corona (7, 8 e 9 de agosto) caminhada limone

Depois de Verona, começou um caminho que transformou-se em uma metáfora encarnada. Um caminho por vezes simples, dominado pela monotonia da planície e do alcatrão; caminho com ladeiras, difíceis, por vezes pesado, onde agarrar-se a cruz e carregar com ela foi a melhor maneira para descobrir a bênção de “sermos levados” quando as nossas forças já estavam esgotadas.

Um caminho para percorrer como grupo, a orar, a comtemplar, a cantar, a rir, a sofrer. Um caminho para ir em silêncio e descobrir que ele estava cheio de medos e de certezas, de sombras e de muita luz.

Um caminho percorrido com a firmeza e a segurança transmitidas por aqueles que estavam a guiar-nos e, as vezes, dominado pela incerteza daquele que não conhece e não confia no guia, o qual nos levou a fazer quilómetros a mais e a esgotar as forças, a água e os víveres.

Um caminho restituído pela ajuda daqueles que estavam a nossa espera com alegria, com água fresquinha para beber e lavar, com a comida recém-feita e com o “colchão” para descansar, com as gazas e o iodo para curar, sendo este um testemunho humilde e claro do serviço e da entrega.

maria de la coronaUm caminho com os olhos fixos na cruz, que nos fazia continuar sempre em frente (embora as dificuldades e o cansaço) e que nos levava até ao Coração de Jesus, pela intercessão de Maria.

E além de caminhar…Também tivemos tempo para refletir e partilhar o que percebíamos sobre “Missão” (ajudados pelo Espírito para perceber todas as línguas, com certeza!); o testemunho apaixonado e revolucionário do padre Filo, missionário no Chade; o ‘concerto-oração’ com sotaque português e coração missionário; o sacramento da reconciliação, o terço e a meditação silenciosa para acompanhar com Maria algumas das situações de dor do nosso mundo.

6º, 7º e 8º dia: Limone (10, 11 e 12 de Agosto)

lago di garda

Com o caminho feito, os pés doloridos e o coração alargado, a terra prometida aguardava-nos. Desde Caprino em autocarro até Malcesine e daí, em barco até Limone, a sulcar o Lago di Garda como tantas outras vezes já fê-lo Comboni e a cantar a plenos pulmões “África ou morte!”.

À nossa chegada, o padre Manuel e o irmão António deram-nos um caloroso acolhimento, partilhando assim, o que aprenderam nos povos em que estiveram em missão, respetivamente: Congo e Brasil.

Limone cheira a santidade cotidiana, ao amor aprendido na simplicidade do lar, ao sacrifício e ao esforço, à Domenica e a Luiggi… Limone está rodeado pelo lago e pelas montanhas. Mas o olhar infinito de Daniel intui-se por todas os lugares: no topo das montanhas onde gritamos “ÁFRICA OU MORTE”, na beira do lago onde sentimo-nos como aqueles da Galileia…

Em Limone percebemos melhor aquilo que Daniel tem de místico e de profeta, de homem de oração e de ação, de olhar para o alto e de pés na terra. Desfrutamos do silêncio do retiro onde Deus parecia mover os nossos corações mais do que nunca. Celebramos a Eucaristia em comunhão com todos os povos da terra (em especial com aqueles que estão a sofrer a violência da guerra). Damos as graças, unidos aos nossos irmãos e irmãs pelo dom da fé e da vocação como missionárias e missionários combonianos.

Em Limone sentimos que Comboni ria, festejava e rezava connosco. Dessa forma, fixando sempre os olhos em Jesus, amando-O ternamente, Daniel convidava-nos a continuar o seu sonho apaixonado de levar a Boa Nova do Evangelho aos mais pobres e abandonados da Terra.

eucaristia limoneDaniel, a tua obra não morreu! Após 132 anos continua a viver! 132 anos e continua a apaixonar os  nossos corações! 132 anos e continua a haver povos que estão a espera de homens e mulheres santos e capazes de entregar a vida por amor a humanidade e a Jesus Cristo! 132 anos da tua morte e no 10º aniversário da tua canonização queremos gritar contigo: ÁFRICA OU MORTE!

OBRIGADA!

Beatriz Padrón