Feliz és tu, porque acreditas!

p. 1 e.h. 105«Não tenhas medo»: três palavrinhas que todos nós precisamos de ouvir, perante as decisões importantes para as nossas vidas. O maior inimigo da fé é o medo. As nossas ações estão condicionadas por um obscuro temor que nos espreita; temor da solidão e da perseguição, da pobreza e do fracasso, do abandono e da traição, da doença e da morte.

O medo persegue-nos pretendendo fazer de nós, eternos fugitivos, mas uma presença amiga, «que nos envolve por detrás e pela frente, e que, sobre nós coloca a Sua Mão» (cf. Sl 138, 5), dá firmeza aos nossos pés e sossego ao nosso coração agitado.

A fé não é um seguro contra os infortúnios da vida, porém, ao libertar-nos das ilusórias e falsas seguranças, permite-nos agir com lucidez e tranquilidade. As tempestades, certamente, virão, mas a casa bem construída sobre a Rocha, com o devido cuidado, resistirá à fúria dos ventos.

«…Porque encontrastes graça diante de Deus». A fé alberga o privilégio exclusivo da gratuidade. Deus se declara estar da nossa parte,  aconteça o que acontecer. A Sua fidelidade permanecerá irrevogável e indestrutível.

Mais que uma proposta, é um favor, que Deus pede à Virgem Maria, por meio do Anjo Gabriel: o favor de acreditar no «impossível». É pela fé de Maria, que O Verbo de Deus se faz menino no seu seio virginal. A adesão livre aos pedidos de Deus cria os amplos espaços da Graça onde o impossível se torna possível.  

Na Sua entrega total a Deus, Maria encontra a sua verdadeira e feliz identidade. «Eis-me, sou a Serva do Senhor.» Declarando-se a «Sua Serva», ela escancara as portas da sua existência ao Seu Senhor. «O Todo-Poderoso realizou grandes coisas em meu favor, o Seu nome é Santo» (cf. Lc 1, 47-55).

Fazer germinar a vida onde vida não há é exclusiva prerrogativa de Deus, que escolhe o que é loucura do mundo, para confundir os sábios; o que é fraqueza do mundo, para confundir o que é forte… Deste modo, «nenhuma criatura se pode orgulhar na presença de Deus» (cf. 1 Cor 1,25-30). Todo o ato de amor exige a fé, no Filho de Deus e de Maria, Crucificado e Ressuscitado. Somente Deus pode criar do nada e chamar à vida o que está morto. Então ressuscitarei? Poderá, porventura, brotar a justiça da injustiça e a paz triunfará no nosso mundo dilacerado pelos conflitos? Confio que um matrimónio se poderá salvar, não obstante os erros cometidos? Acredito que uma doença grave não é obstáculo, mas antes veículo para a felicidade? Pela fé, já não somos fugitivos, mas peregrinos rumo à meta segura. Porque, «…embora eu caminhe por um vale tenebroso nenhum mal temerei, felicidade e graça me acompanham todos os dias da minha vida» (Sl 23, 4-6).

 

Irmã Maria do Carmo Bogo

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s