FAMÍLIA PROJECTO DE DEUS…

Sínodo para a Família já tem Lineamenta

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O Vaticano já entregou a todas as conferências episcopais e dioceses a Lineamenta, o documento que visa iniciar o trabalho de preparação para o próximo Sínodo sobre a Família, marcado para outubro de 2014. O documento, a que a Família Cristã teve acesso, indica que este Sínodo sobre a Família terá duas fases: a primeira em 2014 e a segunda em 2015, na Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos.

«Em 2014 haverá um primeiro encontro para recolha e análise dos temas, e em 2015 uma nova sessão para, depois de recolhidos as contribuições dadas pelas Conferências Episcopais, chegarem a conclusões de ordem pastoral prática. Ambas as reuniões serão Sínodos, o primeiro uma sessão extraordinária, a de 2015 já entra dentro da sessão ordinária», explicou à Família Cristã D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima.

Esta Lineamenta que foi entregue é um documento breve que consiste essencialmente numa pequena introdução e num questionário que deverá ser entregue pelas dioceses até ao final do mês de janeiro ao Vaticano, a fim de que se possam produzir atempadamente a Instrumentum Laboris, que vai introduzir os temas que serão levados a debate no Sínodo.

Nele, o Vaticano elenca as principais questões que se colocam à família e à Igreja nestes tempos. «Entre as numerosas novas situações que exigem a atenção e o compromisso pastoral da Igreja, será suficiente recordar: os matrimónios mistos ou inter-religiosos; a família monoparental; a poligamia; os matrimónios combinados, com a consequente problemática do dote, por vezes entendido como preço de compra da mulher; o sistema de castas; a cultura do não-comprometimento e da presumível instabilidade do vínculo; as formas de feminismo hostis à Igreja; os fenómenos migratórios e reformulação da própria ideia de família; o pluralismo relativista na noção de matrimónio; a influência dos meios de comunicação sobre a cultura popular na compreensão do matrimónio e da vida familiar; as tendências de pensamento subjacentes a propostas legislativas que desvalorizam a permanência e a fidelidade do pacto matrimonial; o difundir-se do fenómeno das mães de substituição (“barriga de aluguer”); e as novas interpretações dos direitos humanos», pode ler-se no documento a que a Família Cristã teve acesso.

Afirmando que, «ligados por um vínculo sacramental indissolúvel, os esposos vivem a beleza do amor, da paternidade, da maternidade e da dignidade suprema de participar deste modo na obra criadora de Deus», o documento enviado pelo Vaticano explica em seguida as raízes bíblicas da família, argumentando que, «ao longo dos séculos, sobretudo na época moderna até aos nossos dias, a Igreja não fez faltar um seu ensinamento constante e crescente sobre a família e sobre o matrimónio que a fundamenta», e fala da Gaudium et Spes, da Humanae Vitae e da Lumen Fidei, a encíclica mais recente do Papa Francisco, terminando a introdução afirmando que «o matrimónio cristão, fundamentado sobre o consenso, é dotado também de efeitos próprios, e no entanto a tarefa dos cônjuges não é subtraída ao regime do pecado (cf. Gn 3, 1-24), que pode provocar feridas profundas e até ofensas contra a própria dignidade do sacramento».

Questões deixam adivinhar mudanças
É neste sentido que o Papa Francisco pretende interrogar as dioceses, e foi por isso que esta Lineamenta incluiu um questionário grande e detalhado sobre as práticas pastorais relacionadas com a família. «As seguintes perguntas permitem às Igrejas particulares participar ativamente na preparação do Sínodo Extraordinário, que tem a finalidade de anunciar o Evangelho nos atuais desafios pastorais a respeito da família», refere o documento.

Num total de 38 perguntas, divididas por oito áreas de atuação, que vão desde a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família até à relação entre a família e a pessoa, passando pelas questões do matrimónio, da evangelização na família, nas situações matrimoniais difíceis, as uniões de pessoas do mesmo sexo, a educação dos filhos no contexto de situações irregulares e abertura dos esposos à vida.

Tem particular relevância a pergunta «a simplificação da práxis canónica em ordem ao reconhecimento da declaração de nulidade do vínculo matrimonial poderia oferecer uma contribuição positiva real para a solução das problemáticas das pessoas interessadas? Se sim, de que forma?», uma vez que tanto se tem discutido a questão dos recasados. Esta questão vem reforçar a teoria de que a Igreja se prepara para mexer nos processos de nulidade do matrimónio, tornando os processos mais céleres, menos morosos e possivelmente dando-lhe uma abrangência pastoral maior que a existente neste momento, respondendo aos anseios de muitos recasados, de sacerdotes, bispos e do próprio Conselho Pontifício para a Família, que já se pronunciou sobre estre assunto.

Mas o questionário não pretende apenas que os bispos deem conta do estado das coisas nas suas dioceses. Algumas das perguntas pedem exemplos de boas práticas em vários campos da pastoral, nomeadamente na área da evangelização da família, onde perguntam «de que modo as Igrejas locais e os movimentos de espiritualidade familiar souberam criar percursos exemplares». «Não vou fazer futurologia. Acabámos de receber o documento preparatório, que é muito breve, diferente dos outros, mas este Sínodo será mais de ordem prática que doutrinal, porque do ponto de vista doutrinal já temos magistério suficiente», refere D. António Marto, afirmando que irá fazer várias consultas na sua diocese para poder dar as melhores respostas.

Questionado sobre a forma como a Igreja em Portugal irá proceder a esta consulta, o Pe. Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), afirma que «cada bispo irá agora decidir como proceder a esta consulta», consultando quem considera importante de forma a completar o questionário e enviar de volta ao Vaticano no prazo pedido.

O que é certo é que, em alguns países, a Igreja a nível nacional se está a organizar para a recolha de opiniões. É o caso da Conferência Episcopal de Inglaterra e País de Gales, que criou um questionário online e pede a todos os cristãos que participem e respondam ao questionário.

O Sínodo extraordinário para a Família irá decorrer de 5 a 19 de outubro de 2014 no Vaticano, e irá juntar representantes das conferências episcopais, aos quais se juntam peritos e outros convidados, com a tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja.

Ricardo Perna

Publicado em Actualidade

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