Líderes religiosos pela erradicação da escravatura

Vaticano: Papa une-se a líderes religiosos em declaração comum pela erradicação da escravatura

Agência Ecclesia

02 de Dezembro de 2014, às 10:40

Francisco denuncia «terrível flagelo» que exige ação concreta de todos

Cidade do Vaticano, 02 dez 2014 (Ecclesia) – O Papa uniu-se hoje a vários líderes religiosos mundiais, no Vaticano, numa declaração comum pela erradicação da escravatura, que classificou como “iniciativa histórica”.

“Trabalharemos juntos para erradicar o terrível flagelo da escravidão moderna, em todas as suas formas: a exploração física, económica, sexual e psicológica de homens, mulheres e crianças agrilhoa dezenas de milhões de pessoas à desumanização e à humilhação”, referiu Francisco, na sede da Academia Pontifícia das Ciências.

Católicos, anglicanos, muçulmanos, hindus, budistas, judeus e ortodoxos assinalaram deste maneira o Dia Mundial para a Abolição da Escravatura, um problema que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

Francisco agradeceu os esforços de todos os presentes em favor dos “sobreviventes” do tráfico de seres humanos, bem como a sua participação num “ato de fraternidade”.

“Cada ser humano é imagem de Deus. Deus é amor e liberdade, que se doa em relações interpessoais, de modo que cada ser humano é uma pessoa livre, destinada a existir para o bem de outros, em igualdade e fraternidade”, defendeu.

“Não podemos tolerar que a imagem do Deus vivo seja submetida ao tráfico mais aberrante”, prosseguiu.

O Papa condenou um “delito aberrante”, um “flagelo atroz”, que atinge de forma especial os “mais pobres e vulneráveis”.

Uma situação que “se agava cada vez mais, todos os dias”, e que exige a ação de pessoas de fé, governos, empresas, pessoas de boa vontade para erradicar a escravatura.

“As nossas comunidades de fé recusam, sem exceção, qualquer privação sistemática da liberdade individual com fins de exploração pessoal ou comercial”, disse, em nome de todos os signatários.

Segundo Francisco, a escravatura está presente “tanto nas cidades como nas aldeias”, em todo o mundo, e “muitas vezes disfarça-se de turismo”.

“É preciso dar ajuda, de forma ativa, sempre que se cruzar no nosso caminho um idoso abandonado por todos, um trabalhador injustamente escravizado, uma refugiado ou refugiado apanhado pelos laços da má vida, um jovem que anda pelas ruas do mundo, vítima do comércio sexual, um homem ou uma mulher prostituídos de forma enganosa por gente sem temor de Deus, uma criança mutilada dos seus órgãos que chama a nossa consciência”, declarou.

Segundo a relatora especial das Nações Unidas, Urmila Bhoola, pelo menos 20,9 milhões de pessoas estão sujeitas a formas modernas de escravidão, que atingem principalmente mulheres e crianças; a este número somam-se mais de 168 milhões de menores que trabalham.

A cerimónia de assinatura foi apresentada pelo diretor da sala de imprensa da Santa Sé, o padre Federico Lombardi, e pela jornalista Christiane Amanpour, da CNN.

A iniciativa, nascida sob inspiração do Papa Francisco e do primaz anglicano, Justin Welby, é da responsabilidade da ‘Global Freedom Network’ (Rede Global da Liberdade).

Os signatários propõem-se a “inspirar ação prática e espiritual” em favor do fim da escravatura até 2020 “e para sempre”.

“A escravatura moderna, em termos de tráfico de pessoas, trabalho forçado e prostituição, tráfico de órgãos, bem como qualquer relação que não respeite a convicção fundamental de que todas as pessoas são iguais e têm a mesma liberdade e dignidade, são um crime contra a humanidade”, refere a declaração comum.

Segundo os líderes religiosos, a humanidade tem hoje a “oportunidade, consciência, sabedoria, inovação e tecnologia para atingir este imperativo humano e moral”.

O dia internacional pela abolição da escravidão é celebrado no dia 2 de dezembro, data na qual, em 1949, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a convenção para eliminar o tráfico de pessoas.

OC

Notícia atualizada às 11h00

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