Reforçar a Amizade com o Senhor!

DSC08137Assim inicia o Papa Francisco a sua carta para o Dia Mundial das Missões! É tempo de reforçar a nossa Amizade com o Senhor! Outubro- mês por excelência missionário! Estivemos nos dias 12 e 13 na Paróquia de Arada, de onde é natural a nossa irmã Isabel Gomes, que atualmente está no Quênia.

Fomos acolhidas com muito carinho e generosidade pelas pessoas de lá. Estivemos com as crianças da catequese do 1º ao 11º ano. Com os mais pequeninos partilhamos sobre o que é ser missionário através da História da “Sementinha Missionária” que se deixou levar pelo “vento” do Espírito Santo a outras terras, para anunciar a alegria e o amor de Deus.DSC08049

Aos mais crescidos fizemos uma reflexão mais profunda sobre as nossas insensibilidades ou indiferenças que podemos ter em relação ao que se passa no mundo, e que temos a missão de amar a todos e preocupar-nos por eles, pois somos irmãos!

Com os mais experientes (adultos/idosos) de Arada, rezamos o Terço Missionário com o coração cheio de amor por todos os povos e confiantes de que Nossa Senhora nos ama e acompanha em cada passo que damos!

Obrigada!

Ir Rosa e Ir Suelyn
Missionárias Combonianas

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2013 (20 DE OUTUBRO DE 2013)

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Queridos irmãos e irmãs,

Este ano, a celebração do Dia Mundial das Missões tem lugar próximo da conclusão  do Ano da Fé, ocasião importante para revigorarmos a nossa amizade com o  Senhor e o nosso caminho como Igreja que anuncia, com coragem, o Evangelho.  Nesta perspectiva, gostaria de propor algumas reflexões.

1.  A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos  conhecer e amar. Ele quer entrar em relação connosco, para nos fazer  participantes da sua própria vida e encher plenamente a nossa vida de  significado, tornando-a melhor e mais bela. Deus nos ama! Mas a fé pede para ser  acolhida, ou seja, pede a nossa resposta pessoal, a coragem de nos confiarmos a  Deus e vivermos o seu amor, agradecidos pela sua infinita misericórdia. Trata-se  de um dom que não está reservado a poucos, mas é oferecido a todos com  generosidade: todos deveriam poder experimentar a alegria de se sentirem amados  por Deus, a alegria da salvação. E é um dom que não se pode conservar  exclusivamente para si mesmo, mas deve ser partilhado; se o quisermos conservar  apenas para nós mesmos, tornamo-nos cristãos isolados, estéreis e combalidos. O  anúncio do Evangelho é um dever que brota do próprio ser discípulo de Cristo e  um compromisso constante que anima toda a vida da Igreja. «O ardor missionário é  um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial» (Bento XVI, Exort. ap. Verbum Domini, 95). Toda a comunidade é «adulta», quando professa a fé,  celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a  Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às «periferias»,  sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da  nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a  comunicarmos a outros, de a espalharmos, de a vivermos na caridade, de a  testemunharmos a quantos nos encontram e partilham connosco o caminho da vida.

2. Celebrado cinquenta anos depois do início do Concílio Vaticano II, este Ano da Fé serve de estímulo para a Igreja inteira adquirir uma renovada  consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos  e as nações. A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos,  mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não  atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e  mulher. O Concílio Vaticano II pôs em evidência de modo especial como seja  próprio de cada baptizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário,  o dever de alargar os confins da fé: «Como o Povo de Deus vive em comunidades,  sobretudo diocesanas e paroquiais, e é nelas que, de certo modo, se torna  visível, pertence a estas dar também testemunho de Cristo perante as nações»  (Decr. Ad gentes, 37). Por isso, cada comunidade é interpelada e  convidada a assumir o mandato, confiado por Jesus aos Apóstolos, de ser suas «testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo»  (Act 1, 8); e isso, não como um aspecto secundário da vida cristã, mas um  aspecto essencial: todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar  com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos  arautos do seu Evangelho. Convido os bispos, os presbíteros, os conselhos  presbiterais e pastorais, cada pessoa e grupo responsável na Igreja a porem em  relevo a dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que  o próprio compromisso apostólico não é completo, se não incluir o propósito de  «dar também testemunho perante as nações», perante todos os povos. Mas a  missionariedade não é apenas uma dimensão programática na vida cristã; é também  uma dimensão paradigmática, que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã.

3. Com frequência, os obstáculos à obra de evangelização encontram-se, não  no exterior, mas dentro da própria comunidade eclesial. Às vezes, estão  relaxados o fervor, a alegria, a coragem, a esperança de anunciar a todos a  Mensagem de Cristo e ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Por vezes há  ainda quem pense que levar a verdade do Evangelho seja uma violência à  liberdade. A propósito, são iluminantes estas palavras de Paulo VI: «Seria  certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas  propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com  absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência  fará (…), é uma homenagem a essa liberdade» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi,  80). Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o  encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao  nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a  missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo. Com frequência,  vemos que a violência, a mentira, o erro é que são colocados em evidência e  propostos. É urgente fazer resplandecer, no nosso tempo, a vida boa do Evangelho  pelo anúncio e o testemunho, e isso dentro da Igreja. Porque, nesta perspectiva,  é importante não esquecer jamais um princípio fundamental para todo o  evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar nunca é um  acto isolado, individual, privado, mas sempre eclesial. Paulo VI escrevia que,  «quando o mais obscuro dos pregadores, dos catequistas ou dos pastores, no  rincão mais remoto, prega o Evangelho, reúne a sua pequena comunidade, ou  administra um sacramento, mesmo sozinho, ele perfaz um acto de Igreja». Ele não  age «por uma missão pessoal que se atribuísse a si próprio, ou por uma  inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome da mesma» (ibid.,  60). E isto dá força à missão e faz sentir a cada missionário e evangelizador  que nunca está sozinho, mas é parte de um único Corpo animado pelo Espírito  Santo.

4. Na nossa época, a difusa mobilidade e a facilidade de comunicação através  dos novos mídias misturaram entre si os povos, os conhecimentos e as  experiências. Por motivos de trabalho, há famílias inteiras que se deslocam de  um continente para outro; os intercâmbios profissionais e culturais, assim como  o turismo e fenómenos análogos impelem a um amplo movimento de pessoas. Às  vezes, resulta difícil até mesmo para as comunidades paroquiais conhecer, de  modo seguro e profundo, quem está de passagem ou quem vive estavelmente no  território. Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente  cristãs, cresce o número daqueles que vivem alheios à fé, indiferentes à  dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Não raro, alguns baptizados  fazem opções de vida que os afastam da fé, tornando-os assim carecidos de uma  «nova evangelização». A tudo isso se junta o facto de que larga parte da  humanidade ainda não foi atingida pela Boa Nova de Jesus Cristo. Ademais vivemos  num momento de crise que atinge vários sectores da existência, e não apenas os  da economia, das finanças, da segurança alimentar, do meio ambiente, mas também  os do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam. A  própria convivência humana está marcada por tensões e conflitos, que provocam  insegurança e dificultam o caminho para uma paz estável. Nesta complexa  situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem atravessados por  nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar corajosamente a todas as  realidades o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação,  de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua  salvação, anúncio de que a força de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do  mal e guiar pelo caminho do bem. O homem do nosso tempo necessita de uma luz  segura que ilumine a sua estrada e que só o encontro com Cristo lhe pode dar.  Com o nosso testemunho de amor, levemos a este mundo a esperança que nos dá a  fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que  ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez –  não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas uma comunidade de  pessoas, animadas pela acção do Espírito Santo, que viveram e vivem a maravilha  do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda  alegria, partilhar a Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É justamente  o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.

5. Gostaria de encorajar a todos para que se façam portadores da Boa Nova de  Cristo e agradeço, de modo especial, aos missionários e às missionárias, aos  presbíteros fidei donum, aos religiosos e às religiosas, aos fiéis leigos  – cada vez mais numerosos – que, acolhendo a chamada do Senhor, deixaram a  própria pátria para servir o Evangelho em terras e culturas diferentes. Mas  queria também sublinhar como as próprias Igrejas jovens se estão empenhando  generosamente no envio de missionários às Igrejas que se encontram em  dificuldade – não raro Igrejas de antiga cristandade – levando assim o vigor e o  entusiasmo com que elas mesmas vivem a fé que renova a vida e dá esperança.  Viver com este fôlego universal, respondendo ao mandato de Jesus «ide, pois,  fazei discípulos de todos os povos» (Mt 28, 19), é uma riqueza para cada  Igreja particular, para cada comunidade; e dar missionários nunca é uma perda,  mas um ganho. Faço apelo, a todos aqueles que sentem esta chamada, para que  correspondam generosamente à voz do Espírito, segundo o próprio estado de vida,  e não tenham medo de ser generosos com o Senhor. Convido também os bispos, as  famílias religiosas, as comunidades e todas as agregações cristãs a apoiarem,  com perspicácia e cuidadoso discernimento, a vocação missionária ad gentes e a ajudarem as Igrejas que precisam de sacerdotes, de religiosos e religiosas e  de leigos para revigorar a comunidade cristã. E a mesma atenção deveria estar  presente entre as Igrejas que fazem parte de uma Conferência Episcopal ou de uma  Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem, com  generosidade, aquelas que padecem a sua escassez.

Ao mesmo tempo exorto os missionários e as missionárias, especialmente os  presbíteros fidei donum e os leigos, a viverem com alegria o seu precioso  serviço nas Igrejas aonde foram enviados e a levarem a sua alegria e esperança  às Igrejas donde provêm, recordando como Paulo e Barnabé, no final da sua  primeira viagem missionária, «contaram tudo o que Deus fizera com eles e como abrira aos pagãos a porta da fé»  (Act 14, 27). Eles podem assim tornar-se caminho para uma espécie de  «restituição» da fé, levando o vigor das Igrejas jovens às Igrejas de antiga  cristandade a fim de que estas reencontrem o entusiasmo e a alegria de partilhar  a fé, numa permuta que é enriquecimento recíproco no caminho de seguimento do  Senhor.

A solicitude por todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os irmãos  Bispos, encontra uma importante aplicação no empenho das Obras Missionárias  Pontifícias, cuja finalidade é animar e aprofundar a consciência missionária de  cada baptizado e de cada comunidade, seja apelando à necessidade de uma formação  missionária mais profunda de todo o Povo de Deus, seja alimentando a  sensibilidade das comunidades cristãs para darem a sua ajuda a favor da difusão  do Evangelho no mundo.

Por fim, o meu pensamento vai para os cristãos que, em várias partes do mundo,  encontram dificuldade em professar abertamente a própria fé e ver reconhecido o  direito a vivê-la dignamente. São nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas –  ainda mais numerosas do que os mártires nos primeiros séculos – que suportam com  perseverança apostólica as várias formas actuais de perseguição. Não poucos  arriscam a própria vida para permanecer fiéis ao Evangelho de Cristo. Desejo  assegurar que estou unido, pela oração, às pessoas, às famílias e às comunidades  que sofrem violência e intolerância, e repito-lhes as palavras consoladoras de  Jesus: «Tende confiança, Eu já venci o mundo» (Jo 16, 33).

Bento XVI exortava: «Que “a Palavra do Senhor avance e seja glorificada” (2 Ts 3, 1)! Possa  este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor,  dado que só n’Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor  autêntico e duradouro» (Carta ap. Porta fidei, 15). Tais são os meus  votos para o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo de todo o coração os  missionários e as missionárias e todos aqueles que acompanham e apoiam este  compromisso fundamental da Igreja para que o anúncio do Evangelho possa ressoar  em todos os cantos da terra e nós, ministros do Evangelho e missionários,  possamos experimentar «a suave e reconfortante alegria de evangelizar» (Paulo  VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80).

Vaticano, 19 de Maio – Solenidade de Pentecostes – de 2013.

FRANCISCO

Jovem e Missão! Perfeita combinação

missºao adgentes

As Jornadas Nacionais da Pastoral Juvenil e as Jornadas Missionárias este ano foram realizadas em conjuntoJ. Para mim foi uma experiência muito enriquecedora e complementarJ e acredito que para muitos que lá estavam, em Fátima, ao pé de Nossa SenhoraJ

Iniciamos na sexta-feira a noite com a presença da Dra. Teresa Messias que introduziu-nos à realidade da maioria dos jovens em Portugal.

O sábado foi intenso e cheio de partilha de vida.O Pe Rui Alberto, salesiano falou-nos de maneira descontraída e sincera das realidades que vivem muitos jovens portugueses hoje e lançou-nos desafios e métodos para ajudar a chegar mais perto deles.

Leigos e leigas partilharam a sua experiência de voluntariado e missão em outras terras, entre elas também em alguns países de África e Américas. O que marcou-me mais ao escutar os testemunhos foi a Pastoral do “Sentadinho”; expressão usada para falar de como tiveram de iniciar a sua Missão num determinado lugar no Brasil. Ou seja, foram com muitos planos e atividades para fazer e ensinar, mas o sacerdote que lá estava disse-lhes para pegar na bicicleta e começar, antes de tudo, a visitar as pessoas: sentar e escutar, ver…assim surge a tal Pastoral do “Sentadinho”J Espetacular!

ecos da JMJTambém participamos de workshops com as diversas temáticas:

Juventude e Cultura; Missão e Economia; Juventude e Família; Bioética; Ecos da JMJ no rio e a Vida da Beata Chiara Luce.

Estive no workshop da Juventude e Cultura com a presença cheia de alegria e entusiasmo de  João Carvalho, grande e estimado ator português que falou e fez-nos sentir a importância de saber apreciar e amar a nossa própria cultura; eu como brasileira gostei imenso de ouvir sobre a riqueza da cultura portuguesa e de confirmar a beleza da universalidade que Portugal tem; a simplicidade de um povo que sabe acolher e amar, apesar das dificuldadesJ. Frase marcante: A Arte vem de DeusJworkshop - JOão Carvalho

Logo mais a noitinha ouvimos as palavras do Pe José Frazão, que falou-nos do tema: Os jovens como “lugar” de Missão. Desafiou-nos a saber conhecer o coração do jovem para poder anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo, assim como fez Matteo Ricci (missionário em Ásia).

Para encerrar o dia, fomos presenteados pela beleza das canções, simpatia, vozes e guitarras de João Afonso e Rogério Pires.

Logo na manhã de domingo estivemos a rezar ao pé de Nossa Senhora e a celebrar na Eucaristia a nossa alegria de sermos cristãos e missionári@s de Jesus!

A tarde tivemos uma mesa redonda com a partilha simples e desafiadora de Eugénio Fonseca e Bernadino Silva. Eugénio desafiou principalmente aos jovens de aproximarem-se das redes caritativas das suas paróquias e a darem a sua colaboração jovem, criativa e cheia de amor.

Bernadino alertou-nos das diversas realidades de pobreza existentes no mundo e deixou-nos o “bichinho” da vontade de conhecer mais o que se passa aos irmãos que vivem a nossa volta e pelo mundo afora, para poder amar mais!

Terminava com esta frase de Carl Young: “Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”

                                                                                                                                                                                                 Ir. Suelyn Smiguel
                                                                                                                                                                                                Missionária Comboniana

Feliz és tu, porque acreditas!

p. 1 e.h. 105«Não tenhas medo»: três palavrinhas que todos nós precisamos de ouvir, perante as decisões importantes para as nossas vidas. O maior inimigo da fé é o medo. As nossas ações estão condicionadas por um obscuro temor que nos espreita; temor da solidão e da perseguição, da pobreza e do fracasso, do abandono e da traição, da doença e da morte.

O medo persegue-nos pretendendo fazer de nós, eternos fugitivos, mas uma presença amiga, «que nos envolve por detrás e pela frente, e que, sobre nós coloca a Sua Mão» (cf. Sl 138, 5), dá firmeza aos nossos pés e sossego ao nosso coração agitado.

A fé não é um seguro contra os infortúnios da vida, porém, ao libertar-nos das ilusórias e falsas seguranças, permite-nos agir com lucidez e tranquilidade. As tempestades, certamente, virão, mas a casa bem construída sobre a Rocha, com o devido cuidado, resistirá à fúria dos ventos.

«…Porque encontrastes graça diante de Deus». A fé alberga o privilégio exclusivo da gratuidade. Deus se declara estar da nossa parte,  aconteça o que acontecer. A Sua fidelidade permanecerá irrevogável e indestrutível.

Mais que uma proposta, é um favor, que Deus pede à Virgem Maria, por meio do Anjo Gabriel: o favor de acreditar no «impossível». É pela fé de Maria, que O Verbo de Deus se faz menino no seu seio virginal. A adesão livre aos pedidos de Deus cria os amplos espaços da Graça onde o impossível se torna possível.  

Na Sua entrega total a Deus, Maria encontra a sua verdadeira e feliz identidade. «Eis-me, sou a Serva do Senhor.» Declarando-se a «Sua Serva», ela escancara as portas da sua existência ao Seu Senhor. «O Todo-Poderoso realizou grandes coisas em meu favor, o Seu nome é Santo» (cf. Lc 1, 47-55).

Fazer germinar a vida onde vida não há é exclusiva prerrogativa de Deus, que escolhe o que é loucura do mundo, para confundir os sábios; o que é fraqueza do mundo, para confundir o que é forte… Deste modo, «nenhuma criatura se pode orgulhar na presença de Deus» (cf. 1 Cor 1,25-30). Todo o ato de amor exige a fé, no Filho de Deus e de Maria, Crucificado e Ressuscitado. Somente Deus pode criar do nada e chamar à vida o que está morto. Então ressuscitarei? Poderá, porventura, brotar a justiça da injustiça e a paz triunfará no nosso mundo dilacerado pelos conflitos? Confio que um matrimónio se poderá salvar, não obstante os erros cometidos? Acredito que uma doença grave não é obstáculo, mas antes veículo para a felicidade? Pela fé, já não somos fugitivos, mas peregrinos rumo à meta segura. Porque, «…embora eu caminhe por um vale tenebroso nenhum mal temerei, felicidade e graça me acompanham todos os dias da minha vida» (Sl 23, 4-6).

 

Irmã Maria do Carmo Bogo

Campo de Verão’ “Mendicanti di Passione per Dio e per l’umanitá”,

cartaz  Jovens apaixonados por Cristo… a caminhar nos passos de São Daniel Comboni, “a mendigar” a sua PAIXÃO por Deus e pela humanidade. Tens uma idéia melhor?

Do 5 ao 13 de agosto tem tido lugar um ‘Campo de Verão’ muito especial com o título “Mendicanti di Passione per Dio e per l’umanitá”, quarenta e sete jovens (uns de idade e os outros de espírito) vindos da Inglaterra, de Portugal, da Espanha, do Brasil, da Colômbia, da Itália e da Malásia. Passando pelos lugares onde Comboni viveu a sua infância e juventude.

O ponto de partida… a realidade de cada um de nós. Com um leve sopro, com certeza o do Espírito Santo, deixamos a nossa terra, e vimos com uma mochila carregada com o imprescindível e embarcando nesta “aventura comboniana” de encontro, caminho, oração, gozo e VIDA EM ABUNDÂNCIA.

Uns estavam a procura da alegría do encontro, outros dum conhecimento mais profundo de Comboni e de ir às raízes duma vocação já definida, outros com os olhos e o coração bem abertos para descobrir o sonho de Deus para eles, outros a procura da coragem para dizer “sim”… Para todos e cada um, o Senhor já tinha preparado algo novo. Comboni, o caminho e a comunidade, ajudaram a que a mensagem chegasse a bom porto.

1º e 2º dia: Verona (5 e 6 de Agosto)

radio verona-horzDepois de dias de viagem (os portugueses chegavam numa carrinha na que cruzaram Portugal, Espanha, França e Itália) encontramo-nos todos. Os jogos de apresentação, as questões logísticas e, algumas das primeiras chaves deste ‘campo’ foram: mudar o olhar para ver mais além do evidente; abrir os ouvidos para poder entrar no profundo; dispor as mãos para afagar, acompanhar e trabalhar; libertar o olfato para perceber a VIDA em todos os lugares e saborear tanto os sofrimentos como as alegrias que íamos partilhar nos dias que vinham.
Em Verona encontramo-nos com séculos de história diante dos nossos olhos, história da humanidade e da familia comboniana: a urna com os restos mortais de Comboni, a casa Mãe dos combonianos, o Instituto de D.Mazza (onde Comboni cresceu, descobriu a sua paixão por Cristo e pela missão africana, e onde sofreu as primeiras cruzes), a Igreja de Santa Maria in Organo e a Casa Mãe das Combonianas.

Para além disso, o passado mais recente, o presente e o futuro da familia comboniana: o museu africano com a exposição do padre e médico comboniano Giuseppe Ambrosoli (em processo de beatificação por uma vida entregada a Cristo e ao povo ugandês), as instalações da revista Nigrizia, da Afriradio e da televisão comboniana.

3º, 4º e 5º dia de caminho:  S. Pietro in Cariano – Caprino Veronese – Santa Maria della Corona (7, 8 e 9 de agosto) caminhada limone

Depois de Verona, começou um caminho que transformou-se em uma metáfora encarnada. Um caminho por vezes simples, dominado pela monotonia da planície e do alcatrão; caminho com ladeiras, difíceis, por vezes pesado, onde agarrar-se a cruz e carregar com ela foi a melhor maneira para descobrir a bênção de “sermos levados” quando as nossas forças já estavam esgotadas.

Um caminho para percorrer como grupo, a orar, a comtemplar, a cantar, a rir, a sofrer. Um caminho para ir em silêncio e descobrir que ele estava cheio de medos e de certezas, de sombras e de muita luz.

Um caminho percorrido com a firmeza e a segurança transmitidas por aqueles que estavam a guiar-nos e, as vezes, dominado pela incerteza daquele que não conhece e não confia no guia, o qual nos levou a fazer quilómetros a mais e a esgotar as forças, a água e os víveres.

Um caminho restituído pela ajuda daqueles que estavam a nossa espera com alegria, com água fresquinha para beber e lavar, com a comida recém-feita e com o “colchão” para descansar, com as gazas e o iodo para curar, sendo este um testemunho humilde e claro do serviço e da entrega.

maria de la coronaUm caminho com os olhos fixos na cruz, que nos fazia continuar sempre em frente (embora as dificuldades e o cansaço) e que nos levava até ao Coração de Jesus, pela intercessão de Maria.

E além de caminhar…Também tivemos tempo para refletir e partilhar o que percebíamos sobre “Missão” (ajudados pelo Espírito para perceber todas as línguas, com certeza!); o testemunho apaixonado e revolucionário do padre Filo, missionário no Chade; o ‘concerto-oração’ com sotaque português e coração missionário; o sacramento da reconciliação, o terço e a meditação silenciosa para acompanhar com Maria algumas das situações de dor do nosso mundo.

6º, 7º e 8º dia: Limone (10, 11 e 12 de Agosto)

lago di garda

Com o caminho feito, os pés doloridos e o coração alargado, a terra prometida aguardava-nos. Desde Caprino em autocarro até Malcesine e daí, em barco até Limone, a sulcar o Lago di Garda como tantas outras vezes já fê-lo Comboni e a cantar a plenos pulmões “África ou morte!”.

À nossa chegada, o padre Manuel e o irmão António deram-nos um caloroso acolhimento, partilhando assim, o que aprenderam nos povos em que estiveram em missão, respetivamente: Congo e Brasil.

Limone cheira a santidade cotidiana, ao amor aprendido na simplicidade do lar, ao sacrifício e ao esforço, à Domenica e a Luiggi… Limone está rodeado pelo lago e pelas montanhas. Mas o olhar infinito de Daniel intui-se por todas os lugares: no topo das montanhas onde gritamos “ÁFRICA OU MORTE”, na beira do lago onde sentimo-nos como aqueles da Galileia…

Em Limone percebemos melhor aquilo que Daniel tem de místico e de profeta, de homem de oração e de ação, de olhar para o alto e de pés na terra. Desfrutamos do silêncio do retiro onde Deus parecia mover os nossos corações mais do que nunca. Celebramos a Eucaristia em comunhão com todos os povos da terra (em especial com aqueles que estão a sofrer a violência da guerra). Damos as graças, unidos aos nossos irmãos e irmãs pelo dom da fé e da vocação como missionárias e missionários combonianos.

Em Limone sentimos que Comboni ria, festejava e rezava connosco. Dessa forma, fixando sempre os olhos em Jesus, amando-O ternamente, Daniel convidava-nos a continuar o seu sonho apaixonado de levar a Boa Nova do Evangelho aos mais pobres e abandonados da Terra.

eucaristia limoneDaniel, a tua obra não morreu! Após 132 anos continua a viver! 132 anos e continua a apaixonar os  nossos corações! 132 anos e continua a haver povos que estão a espera de homens e mulheres santos e capazes de entregar a vida por amor a humanidade e a Jesus Cristo! 132 anos da tua morte e no 10º aniversário da tua canonização queremos gritar contigo: ÁFRICA OU MORTE!

OBRIGADA!

Beatriz Padrón