Em família pelo mundo fora! Missionárias Combonianas mulheres consagradas para missão.

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    Perpetuam  o espírito e carisma do  fundador  Daniel Comboni. Estão espalhadas por África, Ásia, Europa, América e têm  como  missão dar a conhecer  a mensagem evangélica e levar conforto  aos mais necessitados.  Dentro  deste  último objetivo  concretizam  todo  o  tipo  de  trabalho  e  entrega, junto  dos mais novos,  a necessitarem  de cuidados  de saúde ou formação,  dos mais velhos,  dos doentes – de todos. Fazem tudo  o que  podem, com  os meios  de que  dispõem, para longe  de  casa e das  famílias biológicas combaterem a pobreza  e a injustiça, a maioria das vezes  pondo  em  perigo as próprias vidas. E isso não as assusta,  dá-lhes antes o  conforto   da  confirmação  do  caminho  que  escolheram para, contra  ventos  e marés,  semearem a mensagem profética  da  Igreja e  levarem  alegria e  valores para aliviar o peso  da opressão dos povos.  Seguem o exemplo  de Daniel Comboni,  filho de  uma  família italiana, de  Brescia, região da Lombardia. Gente  com  abundância  de afetos  e valores, mas sem  bens  materiais, camponeses pobres  ao serviço de um  senhor  rico, numa  aldeia italiana de  início do  século XX. Daniel Comboni  teve,  por isso, de  partir para Verona e de se afastar dos pais para fazer os estudos  num  colégio fundado por um sacerdote.    Acabou  por ordenar-se e partir numa  primeira missão para África, em concreto  Cartum, capital do Sudão.

“Teremos que sofrer, suar, morrer, mas pensar que se sofre e morre por amor de Jesus Cristo e da salvação das almas mais abandonadas do mundo é demasiado consolador para nos fazer desistir da grande empresa”.

Foi assim que desabafou, em carta escrita aos pais, o cansaço, o clima insuportável, as doenças, a pobreza e a morte de numerosos e jovens companheiros, dificuldades que não lhe roubaram o entusiasmo com que iniciara a missão. Regressado a Itália, depois de muita provação e profunda oração, elaborou um plano para a salvação de África, fruto da sua ilimitada confiança nas capacidades humanas e religiosas dos povos africanos. Apelou, em cada recanto da Europa, a bispos, reis e senhores ricos, e igualmente a gente modesta, para que todos pudessem sentir o dever de participar na ajuda aos povos da África Central. Foi assim que fundou em 1867 e 1872, respetivamente, os seus institutos missionários, masculino e feminino, posteriormente conhecidos como Missionários Combonianos e Irmãs Missionárias Combonianas. Às dificuldades do terreno somou muitas acusações de quem via nesta luta sem tréguas pela libertação africana uma postura demasiado arrojada e até paranoica. Mas, dizem os registos históricos, que “pelos africanos consumiu todas as suas energias” e que “lutou tenazmente pela abolição da escravatura”. Morreu no Sudão, na noite de 10 de Outubro de 1881. As suas ações heroicas foram então reconhecidas e os milagres operados acabaram por levar João Paulo II, em Outubro de 2003, a canonizar São Daniel Comboni

Irmã Suelyn, 29 anos nasceu do outro lado do Atlântico, no Brasil – Santa Catarina. A mais nova do grupo (talvez por isso, ao invés de dizer a data de nascimento como as restantes, tenha dito de imediato a idade). Ligada à formação de jovens, já como irmã, esteve numa comunidade, em Camarate, com a missão de apoiar especificamente imigrantes.

Irmã Maria do Carmo Bogo, natural de uma aldeia do concelho de Penedono, no distrito de Viseu. Nasceu em 1948, faz 43 anos de missão e esteve em África, mais concretamente em Eritreia. O Estado da Eritreia é um país localiza- do no Chifre da África, faz fronteira com o Sudão a oeste, a Etiópia ao sul e Djibouti a sudeste. O leste e nordeste do país têm um litoral banhado pelo Mar Vermelho, tendo contato direto com a Arábia Saudita e Iémen.

Irmã Maria de Lurdes Oliveira nasceu em 1951, natural de Vila Nova de Gaia – Grijó. Há 41 anos que faz parte da grande família das Irmãs Missionárias Combonianas. Já fez missão numa grande extensão do Brasil: desde o Estado de Espírito Santo, no sudeste, e Rondónia a Norte, até Humanitá, no interior do Amazonas. Tem a serenidade de quem diz nunca ter duvidado do caminho que escolheu fazer.

Irmã Maria Aurora Salgado Abreu é de Guimarães, nasceu em 1947. Deixou Portugal em 1969 e é consagra- da desde 1972. Cruzou-se com a Irmã Maria de Lurdes em Londres para onde foi aprender a língua inglesa e passou os últimos 13 anos na Escócia.

Feita a apresentação (de acordo com a foto no sentido contrário aos ponteiros do relógio – da direita para a esquerda), impõe-se a pergunta: como surgem em Cantanhede estas quatro Missionárias Combonianas, que embora pertençam à mesma família missionária e partilhem o mesmo ideal, têm percursos diferentes? Recuemos ao verão do ano passado, quando a irmã Ma- ria do Carmo esteve de férias na Varziela, na companhia da irmã Elvira, Missionária Comboniana também, natural daquela aldeia de Cantanhede e que já não estava há alguns anos com a família. Na altura, a irmã Elvira aceitou contar ao nosso jornal pedaços das suas vivências juntos dos índios da República do Equador, América do Sul. Foi então que surgiu o convite do padre Luís para que a irmã Maria do Carmo regressasse no ano seguinte. O desafio implicava a partilha de experiência com a comunidade local, desde os mais idosos, aos empresários, pequenos comerciantes, alunos e professores. Vieram de comunidades de Lisboa, Vi- seu e Porto, juntaram-se as quatro em Cantanhede e ficaram alojadas na casa paroquial de Outil, para cumprirem o que havia prometido a irmã Maria do Carmo. Aceitaram as ofertas generosas das gentes e receberam, gratas, os produtos da terra: não lhes faltaram as batatas, o azeite, o vinho (que foi alvo de respeitoso pedido de consentimento antes de ser oferecido, não fosse ser coisa interdita a freiras) e até uma receita especial de bacalhau, confecionado por uma senhora de Outil que as convidou para jantar. Falaram das suas ex- periências de vida por onde passaram, nas casas de família, lares e escolas e, no regresso, levavam um sentimento gratificante dos dias passados em Cantanhede.

Graça Cunha, texto e fotos