Encontro sobre a Pastoral da Estrada e da Rua, em África e Madagáscar, realizado na Tanzânia.

A nossa irmã, Expedita Perez, conta-nos a sua participação no Encontro sobre a Pastoral da Estrada e da Rua, em África e Madagáscar, realizado na Tanzânia.

“Foram dias intensos, estes, cheios de conteúdos, de experiências partilhadas, de dor e também de esperança.”

Organizado pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Imigrantes e dos Refugiados, realizou-se em Dar es Salaam, capital da Tanzânia,  de 11 a 15 de Setembro 2012, o encontro intercontinental sobre a Pastoral da Estrada/Rua, para a África e Madagáscar, no qual participei a pedido do nosso Conselho Provincial do Egipto, onde me encontro em missão, uma vez que o meu trabalho é com os refugiados Sudaneses.

Éramos 87 pessoas: leigos/as, religiosos/as, sacerdotes e bispos, que trabalham em 30 países de África e Madagáscar.

O tema baseou-se na citação bíblica dos discípulos de Emaús:

“Jesus aproximou-se e começou a caminhar com eles”    Lc 24, 15

Seis relatores, nomeadamente do Vaticano, República Democrática do Congo, Benim, Nigéria, Zimbábue e África do Sul e duas apresentações especiais, o ITF Departamento dos Transportes Internos de Londres e a IOM (Organização Internacional para a Migração) na África do Sul, foram-nos pouco a pouco introduzindo nas seguintes realidades:

  • O documento “ Orientações para a Pastoral da estrada e da rua” da Exortação Apostólica Pós Sinodal “Africae Munus”;
  • A situação e necessidades dos condutores de camiões e contentores;
  • A dramática realidade do tráfico humano/ sexual de mulheres e crianças e o tráfico de orgãos humanos… vistos como uma nova forma de escravidão;
  • O fenómeno das crianças de rua.

Todas estas realidades foram ainda mais explícitas com a partilha pessoal de seis dos participantes em particular e a nossa, todos/as os outros participantes, com cinco minutos cada, para apresentar o próprio trabalho pastoral nestes sectores, seguindo-se três trabalhos de grupos.

Vimos a história destas situações em Àfrica e Madagáscar, as possíveis causas, o que até agora se fez a nível de igreja e das estruturas civis, o que se poderá fazer a estes dois níveis, e a mais valia e necessidade premente, de trabalhar em rede.

Pessoalmente conhecia algo desta realidade, porém estes dias fiquei mais consciente do drama, ou melhor, da tragédia que muitas mulheres e crianças estão vivendo ainda hoje em África, neste âmbito

Parecia-nos  impossível que hoje em pleno século XXI existisse tanto sofrimento deste género, tanta injustiça, tanto egoísmo e maldade por parte de quem torna possível esta realidade; e por outro lado tanto silêncio por parte de quem conhece a mesma realidade, por parte de quem foi eleito para defender os direitos e bem estar do seu povo e ,às vezes por parte de gente de boa vontade que vive “fechada “ no seu pequeno mundo que com o seu silêncio, colabora inconscientemente .

 Irmã Patrícia Ebegbulem, nigeriana, membro do Comité de Apoio para a Dignidade da Mulher e membro da Rede Internacional contra o tráfico Humano, representando a sua Congreggação, Irmãs de S. Luís,  partilhou connosco:

  • Na relação anual da TIP ( Organização Internacional do Tráfico de Pessoas) de Junho de 2011 se fala de 12,3 milhões de pessoas traficadas.
  • 80% destas pessoas são mulherese crianças. Segundo as Nações Unidas, o lucro anual gerado pelo tráfico de pessoas é de 32 bilhões de dólares.
  • Na Europa, segundo a IOM ( Organização Internacional para a Migração) 500.000 mulheres e menores, circulam pelas nossas estradas e ruas.
  • Nos estados Unidos, segundo a CIA, se calculam entre 50.000 a 100.000 as mulheres levadas para lá, para exploração sexual.

Falou-nos ainda da urgência de não aceitarmos a tão famosa frase: “a prostituição é a mais velha das profissões…” ou  a “ mais rentável”.Um trabalho que destrói a pessoa humana, não pode ser considerado trabalho! Nunca!

Por sua vez Mons. Robinson Wijesinghe, do Pontificio Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Pessoas Itenerantes, disse-nos que se calcula em 150 milhões o número de meninos de rua, dos quais 40% não têm um lugar e os outro 60% trabalham na rua para ajudarem as suas famílias.

Outra verdade dura de aceitar é o tráfico de órgãos  Se acaba com o direito à vida de muitos irmãos e irmãs para favorecer a vida de outros? Como é possível que esta não lógica possa habitar num coração humano?

Devo também dizer que junto destes números e estatísticas, com rostos e nomes, vimos quanto trabalho se tem feito e faz, muitíssimas vezes no silêncio mais absoluto, para melhorar a vida destes irmãos e irmãs, para denunciar as suas tragédias e transformar o coração daqueles que são causa de tanto sofrimento.

Faço-vos um convite forte: procurar informações sobre o tráfico de pessoas e o tráfico de órgãos,  dar a conhecer esta problemática, procurando possíveis soluções ou recursos que possam ser de ajuda para acabar com esta tragédia.

Para tal deixo-vos alguns endereços de páginas web onde podeis encontrar mais informação:

www.anaht.net;www.solwodi.de; www.talithakum.info; www.renate-europe.net