Marietta: jovem corajosa (2.ª parte)

 

Scandola

Partida sem retorno. A 17 de Janeiro de 1872, Marietta Scandola vai a Verona com a sua mãe para combinar os últimos preparativos com o Fundador. As duas aproveitam o meio de transporte de um vizinho que se desloca à cidade para vender os seus queijos.

A jovem leva consigo as poucas coisas necessárias para uma breve estada, porém, ao afastar-se da sua aldeia natal, ela dá conta de um pressentimento de que nunca mais aí regressará. Assim, ao chegar diante da porta onde é esperada, ela tira os brincos e dá-os à mãe: «Toma, mãe, vou entrar e não voltarei mais a casa. Vai!»

Daniel Comboni recebe-a calorosamente, mostra-se feliz pela chegada desta jovem, a segunda que ele acolhe para o Instituo que está nascendo.

O breve diálogo que se estabelece entre Comboni e a futura missionária tem o sabor das coisas simples e verdadeiras. Marietta, repeti-lo-á de boa vontade, mais tarde, às co-irmãs, quando nos momentos recreativos lhe pediam que falasse, para ouvirem dos seus lábios os pormenores desse encontro com o Fundador.

«Então, queres vir para a África comigo?»

«Vim expressamente para isso!»

«Óptimo! Como te chamas?»

«Chamo-me Marietta.»

«Um bonito nome, mas agora passarás a chamar-te Giuseppa, pode ser?»

«Sim!»

«E… o que é que sabes fazer?»

«Sei fazer a polenta!»

«Muito bem! Em África também é preciso fazer polenta. Agora vem!»

A jovem hesita; apenas tinha vindo para combinar os últimos preparativos… e retorque:

«Mas primeiro preciso de ir a casa mudar de roupa; não vê, venho de tamancos!»

«E o que é que isso tem de mal? Dar-te-emos sapatos!»

«E para me despedir da minha família?»

«A tua mãe despede-se por ti!»

«Então fico?»

«Fica!»

E assim Marietta, agora Giuseppa, fica, de avental e de tamancos, pronta a servir, pobre e livre de qualquer entrave que pudesse impedi-la de empreender o longo caminho de Deus que conduz à Missão.

(Cf. A Coragem de Arriscar, Irmã Maria Giuseppa Scandola, Missionária Comboniana. Estrasburgo: Ed. Du Signe, 2003, pp. 12-13).

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Quando partir não significa ausentar-se

Márcia2Três meses passaram desde que a Márcia – Leiga Missionária Comboniana – tinha começado a sua aventura missionária no Bairro de Fetais, um dos 26 da Paróquia de S. Tiago Apóstolo de Camarate, em Loures. À chegada a esta comunidade, trazia na bagagem mais de dois anos vividos no coração da África – na República Centro Africana e, com alegria, disponibilizou estes três meses entre este povo oriundo de vários países e vários continentes. Principalmente com as crianças e os outros voluntários do Projeto Despertar, onde com o coração de missionária e a competência de educadora infantil, foi uma mais valia, ao início do mesmo projeto, fazendo comunidade com as Irmãs Missionárias Combonianas aí presentes. No seu horizonte: Moçambique! Uma missão bem diferente destas que conheceu até então.

Foi, por isso, com alegria, que celebramos com ela e comMárcia_símbolo (1) a sua família, o seu envio missionário no passado dia 12 de Maio, na capela de Nossa Senhora  Mãe Rainha, neste bairro, com toda a comunidade cristã.  Um dia vivido em família e verdadeira fraternidade missionária! Na eucaristia, presidida pelo P. Alberto Silva, Superior Provincial dos Missionários Combonianos, a Márcia recebeu a bênção tanto da família Comboniana aí presente como de toda comunidade.

Assim, no rito de envio, os Leigos Missionários Combonianos, recordavam à Márcia e aos presentes que, quando se parte, parte-se acompanhado, a família que faz questão de estar presente na celebração de envio é a mesma que se mantém presente na missão daquele que parte. Simbolicamente, a mãe da Márcia entregou-lhe o símbolo do envio (uma dezena com a Cruz), manifestando, deste modo, que apesar do que até possa não entender e apesar da separação física, o apoio à filha é incondicional.

Márcia_símbolo2Também neste momento de profunda missionariedade, recordou-se à Márcia que quando, em qualquer parte do mundo, se reza pelos missionários, reza-se também por ela e que, por isso mesmo, em oração, a Igreja – Povo de Deus – é presença diária e constante com ela e com tantos missionários que partilham, dia-a-dia as suas vidas com os mais pobres e abandonados em favor do Reino.

Márcia_bençãoA Eucaristia não terminou sem que todos os presentes impusessem as mãos sobre a Márcia numa atitude de bênção, envio e comunhão missionária.

 

No final, o almoço partilhado em família mostrou que a missão é feita por todos aqueles que dela se fazem família. A alegria e o entusiasmo missionário não foram sentimentos da Márcia, foram sentimentos de todos que com ela, mesmo ficando em Portugal, partem de coração aberto seguindo a estrada de Cristo a exemplo de Comboni.

No fim do dia, uma única palavra: Obrigada! Obrigada Márcia por continuares a acreditar e amar a missão a que Cristo te chama! Obrigada por partires e, deste modo, nos fazeres partir também! Obrigada às Irmãs que sempre, ao longo destes três meses, se fizeram presentes e te “inculturaram” nesta comunidade que depressa aprendeu a amar-te e que hoje parte contigo para terras africanas. Obrigada aos Missionários Combonianos que, em comunidade apostólica contigo, sempre se mostraram presentes neste teu caminhar! E, finalmente, obrigada Senhor, por continuares a fazer de nós humildes e frágeis instrumentos do Teu Amor e da Tua Paz!

Susana Vilas Boas ( coordenadora dos LMC em Portugal)